
Hermafrodito: O filho de Hermes e Afrodite
Afrodite, deusa do amor e da beleza, presidia, nas palavras de Hesíodo, �conversas e truques infantis: doces transportes, abraços e carícias�. Nasciam flores onde pisasse e pardais e pombas voavam à sua volta. Fascinava até os deuses mais experimentados e muitas vezes colocava a tentação no caminho do próprio Zeus, fazendo-o esquecer sua esposa-irmã Hera.
Hermes, filho de Zeus e mensageiro aos mortais, protetor dos rebanhos e dos gados, dos ladrões e dos malandros, guardião dos viajantes, patrono do comércio, dos oradores e dos escritores.
A união deste dois deuses olímpicos resultou em um ser de esplêndida beleza ao qual foi dado o nome de Hermafrodito.
Criado pelas ninfas na floresta de Ida, na Frígia começou a correr mundo aos 15 anos. Chegando à beira de um lago, Salmácis, uma ninfa, viu-se perdidamente apaixonada por ele. O inocente Hermafrodito rechaça suas investidas. Ela se esconde e, quando ele se despe para banhar-se nas águas do lago, ela o agarra, prendendo-se a ele. Ele tenta se livrar, mas Salmácis pede aos deuses que seus dois corpos não sejam nunca mais separados, no que é prontamente atendida.
Em Metamorfoses, de Ovídio, lê-se: �seus corpos são misturados e já não são dois, mais um único aspecto (...) já não são dois seres e, todavia, participam de uma única natureza; e sem que se possa dizer que é uma mulher nem uma criança, o aspecto não é nem de um, nem de outro, ao mesmo tempo em que é dos dois�.
Surge, então, um novo ser de natureza dupla. É o retorno do andrógino primitivo quando, após muitas vicissitudes, intercâmbios e transformações entre os dois sexos, o ideal de união das duas metades é finalmente realizado.
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